
Primeiro espetáculo solo de Tatá Oliveira mistura autobiografia e ficção, teatro de objetos e bonecos para lançar um olhar íntimo e contemporâneo sobre paternidade, masculinidade e heranças emocionais.
O que deixamos para aqueles que ainda não nasceram? Que memórias, gestos e silêncios atravessam pais, filhos, avôs e netos ao longo do tempo? Essas são algumas das perguntas que atravessam “Uma Carta para Meus Netos”, espetáculo teatral que estreia no Sesc Tijuca, de 22 de janeiro a 8 de fevereiro, propondo uma experiência cênica delicada, profunda e absolutamente atual.
Idealizado, escrito, dirigido e interpretado por Tatá Oliveira, o espetáculo parte de uma ação simples e potente: um artista escreve uma carta para seus futuros netos e, nesse gesto, revisita sua própria história, suas relações familiares e os modelos afetivos que recebeu — e que, consciente ou inconscientemente, tende a reproduzir. “Entre lembranças, invenções e objetos carregados de memória, o palco se transforma em território de reflexão sobre as transformações geracionais e os desafios de educar, amar e escutar em tempos de mudança”, explica o ator.
Com linguagem contemporânea e estética intimista, “Uma Carta para Meus Netos” borra as fronteiras entre autobiografia e ficção. O espetáculo combina teatro de objetos e performance do ator, utilizando brinquedos como arquétipos emocionais: símbolos reconhecíveis da infância que revelam tensões, expectativas e fragilidades nas relações familiares. Nesse jogo entre verdade e invenção, o público é convidado a se reconhecer nas cenas e a refletir sobre suas próprias heranças afetivas.
A encenação aposta na sutileza e na poesia para abordar temas urgentes como paternidade, masculinidade, escuta emocional e repetição de padrões familiares, sem oferecer respostas fáceis ou julgamentos. Ao contrário, propõe perguntas. “O avô que aconselha, o pai que silencia, o filho que não compreende — todos coexistem em um mesmo corpo narrativo, revelando que o conflito entre gerações é também um espaço possível de aprendizado e transformação”, reflete Tatá.
Com duração de até 50 minutos e dividida em prólogo e epílogo, a montagem reúne uma equipe criativa de excelência, com destaque para a codireção de Débora Salem, a direção de movimento de Paulo Mazzoni, a preparação em formas animadas de Marise Nogueira e o desenho de luz de Rodrigo Belay.
Integrante da premiada Artesanal Cia. de Teatro, com 30 anos de trajetória, Tatá Oliveira sintetiza nesta obra uma pesquisa artística amadurecida ao longo de sua formação e atuação profissional, tanto no teatro quanto no audiovisual. O resultado é um espetáculo sensível, maduro e necessário — que dialoga diretamente com o público adulto, mas ecoa em todas as gerações.
Mais do que uma peça, “Uma Carta para Meus Netos” é um convite ao encontro: entre passado e presente, entre aquilo que fomos e o que ainda podemos ser.
Serviço.
Espetáculo: “Uma Carta para Meus Netos”.
Local: Sesc Tijuca – Teatro 2.
Temporada: 22 de janeiro a 8 de fevereiro.
Dias e horários: quinta a sábado, às 19h | domingo, às 18h.
Duração: até 50 minutos.
Classificação etária: a partir de 16 anos.
Ingressos:
R$ 30,00 (inteira).
R$ 15,00 (meia-entrada e conveniados).
R$ 21,00 (habilitado Sesc).
Entrada gratuita para PCG – Programa de Comprometimento e Gratuidade do Sesc, uma iniciativa para oferecer atividades educativas e culturais gratuitas para pessoas de baixa renda (até 2 ou 3 salários mínimos por família), incluindo trabalhadores do comércio e estudantes, ampliando o acesso à cultura, lazer e assistência.
Por: Clilton Paz.
Fonte: Alexandre Aquino.
Foto: Pablo Henriques.
