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Tina Werneck lança o álbum ‘Cheguei Tinindo”

Com toda sua variada vivência musical, Tina Werneck lança seu primeiro álbum solo ‘Cheguei Tinindo’, com 12 faixas, nas plataformas digitais dia 05 de agosto.

A frase Cheguei Tinindo está presente no samba ‘O Amor vai Chegar’, que encerra o disco (disco, pois ela é muito vintage).

Imaginar é mover-se e deixar-se levar num grande risco do que ainda é informe e está em plena mutação.

“Trata-se do gerúndio do verbo ser – sendo: quando falo e escuto ao mesmo tempo, quando toco, canto e coloco as palavras, enquanto dou conta da vida prática, trabalho, casa, filhos.  Eu vou compondo sem visualizar os contornos do que faço, em plena vitalidade e entrega, recebendo as dádivas da música”, explica Tina Werneck.

Agora, depois de cinco anos do lançamento da primeira canção em formato de single, está com um álbum completo pronto para oferecer de mãos cheias aos vossos ouvidos e corações e finalmente poder visualizar um contorno em toda essa história.

Tina tem 57 anos e uma longa vivência com a música: violão clássico, viola de orquestra, canto coral, rock progressivo, os mineiros, o choro, Tom Jobim, Pat Metheny com Naná Vasconcelos, aulas de arranjo, improvisação, grupos e orquestra sinfônica. Seus fundamentos, fundamentais. De repente, mutatis mutandis, depois de muito ser instrumentista de arco, voltou ao seu violão na reclusão pandêmica de 2020 e pronto: nasceu com força e presença a compositora de canções.

Vieram muitas canções, como um poço farto que vinha se acumulando no lençol freático das águas embebidas na sua terra/corpo. De uma terra fértil cresceram árvores coloridas e fortes, muito femininas.

O primeiro single lançado em final de 2020! São cinco anos de um grande investimento de tempo, amor, criatividade e grana, numa grande movimentação para fechar o álbum.

Tina chegou tinindo, usando todos os seus recursos criativos, toda a sua vivência musical ao longo da sua vida, que veio à tona de forma impositiva com a criação de canções depois dos seus 50 anos, que a fizeram estudar canto, fazer shows, se expor no palco. Fizeram Tina crescer com inúmeros desafios.

São 12 músicas, cinco inéditas e sete já lançadas, todas autorais, compostas durante esses cinco anos emblemáticos do nosso tempo, com pandemia e uma extrema falta de humanidade no mundo. As músicas falam em sua maioria da construção de um auto amor muito profundo, ligado ao empoderamento feminino, à permissão de uma vida plena de realizações. Falam do amor em vários níveis: do amor romântico, do autoamor, autoestima, do amor pela Vida no planeta.

É um disco afetuoso, de sonoridade grande, que conta com a produção do grande músico, compositor e artista Guilherme Gê, aquele que condensa um conhecimento técnico e uma experiência de décadas de produção, mais a habilidade de tocar vários instrumentos e cantar lindamente.

Além disso, ele trouxe ao álbum muita qualidade artística com os músicos Claudio Infante na bateria (Teresa e Januário, Coisas Incríveis e Coisa Feita) e Marcos Suzano na percussão (Quero Voar, Orbitando em Você e O Amor vai Chegar). Contou também com um jovem músico maravilhoso, o filho da artista Miguel Werneck, que emprestou seu talento nas guitarras (Eu Deixo e Coisa Feita) e com o mago dos sopros Carlos Malta (O Amor vai Chegar). Além desses músicos incríveis, contou com as participações ilustres e afetuosas da maravilhosa cantora Leila Pinheiro, e da Muiza Adnet, que vem a ser sua professora de canto.

Contou também, por que não dizer, com o seu talento como violista e violonista. Todos os violões foram gravados por Tina e, como atua como violista da Orquestra Sinfônica Nacional da UFF, deixou registrado o seu instrumento de trabalho – a viola – seu ganha pão, nas faixas Teresa e Januário, onde fez um grande solo,  em Água, onde gravou o lindo arranjo do Guilherme Gê para 4 vozes de viola, tem também na introdução de Eu Deixo, um arranjo de Tina para 3 violas e, por fim, uma música toda dedicada à viola, Egípcio,  que faz menção ao momento instrumental de Eu Deixo. Desdobramentos de uma música dentro de outra música, como acontecia nos discos icônicos de Milton Nascimento, por exemplo.

Falando das suas influências, as mais diretas e óbvias é o álbum Fragile do Yes. Ela ama tanto essa banda e esse álbum que foi inevitável homenageá-lo em dois momentos: na introdução de Quero Voar e na introdução de Zambizo. Homenagem que é óbvia, mas que ao mesmo tempo, mostra o quanto as inspirações nos movem na composição, começando por um caminho e nos levando a outros lugares cujas subjetividades jamais poderemos definir, apenas é mister nos deixar levar e aceitar.

Além do Yes e outras bandas de rock progressivo, ela tem no coração os quatro primeiros álbuns do Beto Guedes. Milton Nascimento e Chico Buarque que ouve desde criança, Secos e Molhados, mais tarde vieram Pat Metheny, depois Tom Jobim. A música clássica entrou na sua vida através do canto coral, do violão erudito que estudou por alguns anos, aí chegando Villa Lobos e João Pernambuco, ao mesmo tempo Bach, que a levou a querer estudar viola de orquestra e se profissionalizar neste instrumento. Ela entrou para a sinfônica mas sua vontade de abarcar tudo não deixou Tina quieta e, com a viola estudou arranjo, improvisação, fez escola portátil de choro e oficina de música universal da escola de Itiberê Zwarg, estudou com inúmeros músicos de ponta da música brasileira: Cristóvão Bastos e Leandro Braga, por exemplo.

Toda essa vivência trouxe Tina até aqui. A partir de 2019 começou o improvável até então: compor canções no violão, com letra e música. Fazer letra foi uma imensa novidade, uma capacidade que veio como um desafio lúdico e que deu muito certo para ela. “Amo literatura e meus dois autores preferidos estão presentes nas letras: em Teresa e Januário está o romance de Jorge Amado “Teresa Batista cansada de guerra” e em Sete Cores do meu Céu está Guimarães Rosa, com a novela “Dão Dalalão”, conta Tina.

Todas as letras do álbum são de Tina e músicas também, exceto Eu Deixo, que fez em parceria com a amiga e compositora Germana Guilhermme.

Faixa a faixa:

1. Quero Voar

Canção/MPB

É uma canção muito dinâmica e vibrante, em tom de paquera, inspirada na festa do Caxiri do povo indígena Desana, quando estes comemoram suas colheitas e fartura. Na tradição Desana, as letras das canções dessa festa são compostas pelas mulheres que oferecem a quem lhes aprouver, tanto a bebida quanto a música. A introdução faz referência à música Roudabout da banda Yes, que abre o seu clássico álbum Fragile, uma das maiores referências musicais minhas. Como diz Tom Jobim: “a gente só copia aquilo que ama”.

2. Eu Deixo

Canção/Pop/Rock

A única parceria do álbum, feita com a compositora Germana Guilherme. A letra fala em empoderamento feminino e etarismo. As mulheres podem e devem, em qualquer tempo e idade, movimentar-se em direção à realização dos seus desejos de vida, com muita legitimidade e consciência de suas capacidades criativas. Avantes, mulherada!

3. Orbitando em Você

Choro/Canção/MPB

Choro singelo feito todo em escalas pentatônicas e numa harmonia simples, que fala – com metáforas astronômicas – das sensações físicas e emocionais que um desejo pode deflagrar, o calor do sol, a dança da aproximação, as dúvidas que se impõem, a vontade de se abrir e se entregar, as coisas da vida!

4. Zambizo

Instrumental/MPB/Fusion

Canção instrumental/vocal em 7/8, com uma sensação de mistura entre um mantra e um sambinha. Dessa viagem surgiu o nome: sambinha, sambinha em 7, zambizo. Traz uma sensação de alegria e alto astral, corroborada pelo arranjo instrumental do Gê. A introdução remete ao instrumental do mesmo álbum Fragile, do Yes, cuja música The Fish (também em 7/8) foi uma nítida inspiração para mim.

5. Água

MPB/Fusion/Rock  Part.: Muiza Adnet

Canção dinâmica e profunda, inspirada na destruição do Rio Tapajós pelo garimpo, durante a pandemia, onde apesar de tudo se continuava passando impunemente “a boiada”. A parte final foi inspirada numa palestra do Ailton Krenak: “pisa leve nessa terra”. É uma música de amor também: amor pela vida e pelos povos e pela terra.

6. Teresa e Januário

Canção/Rock/Balada

Balada feita em cima de um riff com vocalise que fiz aos 17 anos no violão e ficou guardada na memória. A letra foi totalmente inspirada no romance Teresa Batista Cansada de Guerra, de Jorge Amado. A história de Teresa é a história do patriarcado coronelista brasileiro, muito violento, que se alimentou (ainda se alimenta) da pobreza e ignorância do Povo.  Teresa, felizmente e através do amor, rompe com esse ciclo de subjugo infame. Nesta música realizei um sonho de fazer um grande solo de viola, como  uma guitarra com pedais de efeitos.

7. Coisas Incríveis

Canção/MPB/Rock

É uma canção romântica realista que propõe um encontro amoroso entre pessoas disponíveis, dispostas. Um amor positivo, que flui, sem fantasias ou jogos, com força para o desenvolvimento contínuo numa construção de afeto e companheirismo.

8. Ouronágua

Instrunental/MPB/Fusion

Música instrumental vocal em ritmo 12/8, típico da MPB mineira da qual também me alimentei durante a vida. A inspiração para o nome veio da percepção ilusória do brilho do sol na água da Baía da Guanabara, por onde passo quase que diariamente. É uma beleza impermanente, que existe, mas é impalpável, assim como a vida e a espirtualidade.

9. Sete Cores do Meu Céu

Canção/Balada/Rock

Canção romântica, inspirada no romance Dão Dalalão de Guimarães Rosa, de onde tirei algumas imagens que inspiraram a letra: “rompante de uma festa quieta”. Intimidades! A música foi inspirada num riff do Pink Floyd, banda que, por sua vez, também inspirou o título, que remete à capa do icônico álbum do prisma. Um grande mix de inspirações!

10. Coisa Feita

MPB/Pop

Canção divertida e leve. Conta uma história de paixão não correspondida, de desejos pendentes, mas que são levados com muito bom humor. Quem nunca fez uma simpatia ou uma fézinha pra chamar atenção de outrem, que atire a primeira pedra!

11. Egípcio

Instrumental/Pop/Rock

Música instrumental, cujo tema principal remete ao solo de guitarra de “Eu Deixo”, tema este que foi criado na viola de arco e que se desdobra desta vez em outros solos dentro de um groove, tendo a viola como protagonista. Trata-se de uma marca registrada da compositora/cantora, que é violista de orquestra e gosta de improvisar no instrumento. A parte vocal é uma homenagem ao Surfboard de Tom Jobim, complementando assim, com louvor, as minhas principais referências musicais.

12. O Amor Vai Chegar

Samba jazz/Partido Alto  Part.: Leila Pinheiro

Samba alegre e alto astral, inspirado em tudo que pertence ao mar em forma de imagens e metáforas. O Amor aqui, portanto, pode ser entre dois seres, pode ser auto amor ou, ainda, um amor que abrange tudo, a vida, a espiritualidade. Nele está contido o trecho da letra que dá nome ao álbum: Cheguei Tinindo! Esta música é uma grande celebração e finaliza o trabalho feito durante os seis anos que compusemos e gravamos este album, agora pronta para chegar aos ouvidos e corações do mundo.

Sobre Tina Werneck:

Tina Werneck começou a tocar violão aos 12 anos, estudou violão clássico, canto coral e aos 21 anos inciou-se na viola de arco.

Fez licenciatura e bacharelado em viola na Universidade Federal do Rio de Janeiro e mestrado com a dissertação sobre o Violino Popular Urbano Carioca (1850 a 1950). É violista concursada na Orquestra Sinfônica Nacional da UFF em Niteroi desde 2004.

No ínterim de sua carreira acadêmica e como instrumentista (viola de arco), sempre buscou em várias fontes e vivências amplitude das artes musicais, sobretudo a brasileira. Estudou Choro na Escola Portátil de Música com o pianista Cristóvão Bastos, de onde saiu o Rio Bate Papo (viola de arco, piano e pandeiro). Estudou arranjo com o pianista Leandro Braga e improvisação com o guitarrista Bernardo Ramos. Também atuou como instrumentista nas artes afins, ballet e teatro e cinema.

Destaques: em 2000 gravou para o Ballet os discos “Chegança” e “Orquestra”, de Antonio Saraiva.  No teatro, trabalhou no musical “Era Uma Vez Grimm” de José Mauro Brant e Tim Rescala, além de gravar o CD do espetáculo.

Tocou como violista solista por 10 anos no Quarteto Alevare, especializado na música de Astor Piazzolla, de onde vieram dois CDs: “Piazzolla por Mãos Brasileiras” de 2007 e“Piazzolla Segundo Alevare”, de 2010.

A partir de 2019, iniciou sua carreira como compositora, cantora e intérprete das suas canções. Gravou seus primeiros singles, Ouronágua em 2020, numa sequência de singles (e alguns clipes dirigidos pelo cineasta Cavi Borges) que agora reunidos com mais 5 músicas inéditas fazem parte do seu primeiro álbum autoral “Cheguei Tinindo”.

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