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Quanto mais tecnologia avança, mais valioso se torna aquilo que revela a mão humana

Para Camila Pimenta, o avanço da inteligência artificial não diminui o papel da autoria. Ao contrário: em um mundo capaz de criar quase tudo em segundos, identidade, repertório e sensibilidade passam a ter ainda mais valor.

A inteligência artificial já mudou a maneira como imagens são produzidas, referências são pesquisadas e ideias são testadas. Na arquitetura e no design, ferramentas cada vez mais sofisticadas permitem visualizar possibilidades em uma velocidade que até pouco tempo parecia impossível.

Mas, para a arquiteta Camila Pimenta, essa transformação provoca um movimento interessante: quanto mais fácil se torna produzir, maior passa a ser a necessidade de diferenciar criar de simplesmente gerar.

“A tecnologia pode multiplicar possibilidades. Mas possibilidade não é identidade. Alguém ainda precisa decidir o que merece existir.”

Camila vê a inteligência artificial como uma ferramenta poderosa e inevitável dentro dos processos criativos. O ponto, segundo ela, está em entender onde termina a eficiência da tecnologia e começa aquilo que depende de repertório, percepção e experiência humana.

Na prática, esse contraste também vem alterando o que desperta interesse nos interiores. Objetos com autoria, peças desenvolvidas especialmente para um projeto, materiais trabalhados artesanalmente e soluções que não podem ser reproduzidas infinitamente passam a adquirir outra relevância.

“Quando qualquer pessoa consegue gerar algo visualmente interessante em segundos, ser apenas bonito deixa de ser suficiente.”

Para a arquiteta, a própria ideia de exclusividade começa a mudar. Ela deixa de estar somente associada ao preço ou à marca e passa também pela origem, pela história e pela dificuldade de reprodução.

É algo que influencia seu processo de criação. Em seus projetos, tecnologia e pesquisa internacional convivem com desenho autoral, desenvolvimento de peças específicas e o trabalho de profissionais capazes de transformar uma ideia em algo que ainda não existe no mercado.

“Eu não acredito em competir com a tecnologia. Acredito em usá-la para chegar mais longe e preservar para nós aquilo que ela não substitui: intenção, sensibilidade e autoria.”

Talvez esse seja um dos efeitos mais interessantes da inteligência artificial sobre o universo criativo. Em vez de tornar o humano menos relevante, ela pode estar fazendo exatamente o contrário: deixando mais evidente o valor de uma assinatura que não pode ser reproduzida por um comando.

“Em um mundo onde quase tudo pode ser gerado, ter uma identidade própria talvez seja a forma mais rara de inovação.”

(Crédito: Arquivo Pessoal)

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