
Novo trabalho da Cia de Teatro Sala3 transforma a trajetória das artes cênicas em uma aventura repleta de música, humor e imaginação; sessões acontecem nos dias 16 e 17 de agosto
Uma máquina do tempo, dois Contadores de histórias e as inseparáveis figuras da Comédia e da Tragédia são os guias de uma viagem que atravessa séculos de criação artística em “O Ditirambo Mágico”, novo espetáculo da Cia de Teatro Sala3. A montagem chega às suas últimas apresentações nos dias 16 e 17 de agosto, no Teatro Zabriskie, em Goiânia, com sessões às 17h, no domingo, e às 19h, na segunda-feira. A entrada é gratuita e os ingressos podem ser retirados pela plataforma Sympla.
As apresentações encerram o projeto de manutenção da Sala3, contemplado pelo Edital de Manutenção de Grupos e Companhias Artísticas (Lei Aldir Blanc 2024). A montagem é livremente inspirada no livro “Teatro”, da autora e ilustradora Raquel Coelho, e aposta em uma linguagem cênico-musical para aproximar públicos de diferentes idades da história e da diversidade das artes da cena.
Em vez de uma aula convencional sobre o assunto, o espetáculo transforma informações históricas em matéria para o jogo teatral. Música, comicidade, formas animadas e interação com a plateia ajudam a construir um percurso que começa nas primeiras manifestações expressivas do ser humano e avança por diferentes momentos e culturas.
A viagem passa pelas celebrações dedicadas a Dioniso, na Grécia Antiga, e pela figura de Téspis, tradicionalmente apontado como o primeiro ator do teatro ocidental. Pelo caminho, os personagens encontram ainda os artistas itinerantes da Idade Média, a Commedia Dell’arte, o universo de Shakespeare e diferentes tradições do teatro oriental.
O percurso não se restringe à história europeia. A dramaturgia também lança o olhar para as manifestações cênicas brasileiras, incorporando referências aos saberes indígenas, ao teatro popular e de rua e às expressões artísticas construídas como espaços de resistência.
“Ao celebrar a imaginação como matéria-prima do fazer teatral, o espetáculo apresenta a arte cênica como herança viva e pulsante da humanidade, capaz de atravessar eras, culturas e continentes”, explica Altair de Sousa, diretor do espetáculo, responsável também pelo texto e pela iluminação.
Entre história e brincadeira
A relação próxima com os espectadores é um dos elementos que orientam a encenação. Inspirada em procedimentos do teatro popular, a Sala3 quebra as fronteiras tradicionais entre palco e plateia e convida o público a acompanhar ativamente as descobertas dos personagens.
A brincadeira com o tempo permite que acontecimentos separados por séculos sejam colocados lado a lado. Mais do que apresentar uma cronologia, a montagem procura mostrar como o desejo de representar, inventar personagens e compartilhar histórias assume diferentes formas de acordo com cada sociedade e período histórico.
Nesse percurso, o teatro aparece não apenas como manifestação artística, mas como uma prática ligada à memória, à comunicação e à construção coletiva de imaginários. É justamente essa perspectiva que permite ao espetáculo conversar tanto com crianças quanto com jovens e adultos.
“Mais do que um resgate histórico, ‘O Ditirambo Mágico’ valoriza o teatro como linguagem universal de comunicação, transformação e pertencimento”, destaca Altair.
Um nome que remete às origens do teatro
A escolha do título também faz parte da viagem proposta pelo espetáculo. O termo ditirambo tem origem na Antiguidade grega e designava um canto coral marcado pelo entusiasmo e pela exaltação, apresentado em celebrações dedicadas a Dioniso. Essas manifestações são associadas historicamente aos rituais que contribuíram para o desenvolvimento do teatro na Grécia.
Com o passar do tempo, a palavra adquiriu outros significados. O ditirambo passou a ser relacionado também a uma forma poética de caráter intenso e apaixonado. Em seu uso figurado, o termo pode ainda indicar um elogio especialmente entusiasmado ou exagerado.
Ao reunir as palavras “ditirambo” e “mágico”, a companhia estabelece um jogo entre passado e presente. O título recupera uma referência ligada às raízes do teatro e, simultaneamente, sintetiza o caráter festivo da montagem: uma celebração da capacidade que a cena tem de transformar o cotidiano, transportar o público para outros lugares e manter viva a experiência de imaginar coletivamente.
Artistas em cena
A dramaturgia e a direção de “O Ditirambo Mágico” são de Altair de Sousa, com colaboração dramatúrgica de Gabriela Lima. O elenco reúne Ivone Cruz, Hilton Junior, Nix e André Nunez.
A equipe artística conta ainda com Evandro Selva, responsável pelo figurino, e Adriana Rufino, que assina o cenário. A confecção de cenário e adereços é de Jhey Matos, Leo Mendes, Adriana Rufino e Carmen Neuda Queiroz de Sousa. Rodrigo Mota e a Cia de Teatro Sala3 assinam a trilha sonora, enquanto a programação visual é de Original Sodre e a produção, de Gardênia Matos.
Ao chegar às últimas apresentações do projeto, a Sala3 encerra a temporada colocando no centro da cena a própria arte que move a companhia. Entre referências históricas, personagens, música e brincadeiras, “O Ditirambo Mágico” transforma a história do teatro em uma celebração do encontro entre artistas e espectadores e da capacidade humana de imaginar e contar histórias.
Serviço
“O Ditirambo Mágico” – Cia de Teatro Sala3
Local: Teatro Zabriskie, Goiânia
16 de agosto (domingo): 17h
17 de agosto (segunda-feira): 19h
Entrada: gratuita
Ingressos: plataforma Sympla
Instagram: @ciadeteatrosala3
