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A IA cria imagens mas ainda não entende histórias

Ferramentas generativas avançam no trabalho criativo enquanto Felipe Luiz Petruy defende autoria escuta e identidade artística na construção de uma tatuagem

A inteligência artificial já faz parte da rotina de grande parte dos profissionais criativos. Pesquisa global da Adobe divulgada em junho de 2026, realizada com mais de 16 mil criadores, mostrou que 75% consideram a tecnologia integrada ou essencial ao próprio fluxo de trabalho. Ao mesmo tempo, 85% defendem que a decisão criativa final deve permanecer com a pessoa. Na tatuagem, essa fronteira ganha uma particularidade: antes de existir uma imagem, muitas vezes existe uma história que precisa ser compreendida.

Felipe Luiz Petruy, tatuador, empresário e mentor especializado em realismo preto e cinza e retratismo, construiu sua trajetória a partir de uma combinação de técnica, interpretação e contato direto com quem procura seu trabalho. Desde 2019, passou por especializações em desenho realista, anatomia facial, sombras, contraste e texturas e, ao longo da carreira, realizou projetos para artistas como MC Drika, Salvador da Rima, MC Pedrinho e MC Vitão do Savoy.

Para ele, ferramentas digitais podem ampliar referências e ajudar na construção de possibilidades visuais, mas não substituem a conversa que antecede um projeto. “Muitas vezes, o cliente não chega simplesmente pedindo um desenho. Ele conta uma história, mostra uma fotografia, explica quem é aquela pessoa ou por que determinado momento precisa ficar registrado na pele. O trabalho começa entendendo isso”, afirma Petruy.

A diferença fica mais evidente em retratos e homenagens. Nesses casos, reproduzir tecnicamente uma fotografia é apenas parte do processo. O artista precisa compreender quais características são importantes para o cliente, selecionar a melhor referência, avaliar a posição da tatuagem e adaptar a composição ao corpo de quem vai carregá-la.

Um dos trabalhos realizados por Petruy para MC Drika ajuda a ilustrar essa construção. Após uma parceria da cantora com a Lacoste, a artista decidiu registrar um jacaré na região próxima à clavícula e procurou o tatuador para executar o projeto. Outros trabalhos realizados ao longo da carreira também partiram de referências ligadas a histórias e momentos pessoais dos clientes.

“A ferramenta pode apresentar dez imagens em poucos segundos, mas não sabe por que determinada expressão importa para aquela pessoa. Às vezes, durante uma conversa, percebemos que um pequeno detalhe que parecia secundário é justamente o elemento mais importante daquela lembrança. Essa leitura muda o projeto”, explica.

A discussão entre tecnologia e autoria ultrapassa o universo da tatuagem. Em 2025, o Escritório de Direitos Autorais dos Estados Unidos concluiu que conteúdos produzidos com auxílio de inteligência artificial podem receber proteção quando há contribuição criativa humana suficiente. O órgão também afirmou que utilizar IA como ferramenta de apoio não elimina, por si só, a possibilidade de proteção, enquanto apenas fornecer comandos a um sistema não configura contribuição autoral suficiente.

Para Petruy, essa discussão toca diretamente na construção da identidade de um artista. “Se todos recorrerem às mesmas ferramentas, com os mesmos comandos e as mesmas referências, existe o risco de os trabalhos começarem a perder personalidade. O tatuador precisa ter repertório próprio. A tecnologia pode participar do caminho, mas não deveria decidir qual é a linguagem do artista”, diz.

O realismo em diferentes mercados

A valorização da execução aparece também em competições realizadas em diferentes países. No Brasil, a Tattoo Week mantém categorias específicas para realismo e retrato. Nos Estados Unidos, eventos organizados pela Villain Arts separam disputas de realismo colorido e realismo preto e cinza, além das categorias de retrato. Na Itália, a Napoli Tattoo Expo também possui divisões próprias para Realistic Black & White e Realistic Color.

Apesar das diferenças entre os regulamentos, a avaliação permanece concentrada no trabalho efetivamente realizado sobre a pele. Na Napoli Tattoo Expo de 2026, por exemplo, técnica, estilo, saturação e composição estão entre os parâmetros considerados pelos jurados. Nas categorias de realismo, o regulamento recomenda ainda a apresentação da fotografia utilizada como referência nos trabalhos de retrato.

Essa diferença entre imagem e execução faz parte da própria especialização de Petruy. Antes de começar a ministrar mentorias para outros profissionais, ele passou por anos de formação voltada a desenho realista, anatomia, iluminação, sombras e diferentes formas de representar texturas. A trajetória também inclui o segundo lugar na categoria Retrato da Tattoo World, em 2022, a vitória na mesma categoria no Araucária Tattoo Festival, em 2024, e convites posteriores para atuar como jurado no PG Tattoo Fest e no Santos Tattoo Festival.

“Não existe um botão para transferir uma imagem perfeita para a pele. Existe uma pessoa executando aquele trabalho e tomando decisões durante todo o processo. No realismo, cada passagem de tom, cada sombra e cada textura interferem no resultado”, ressalta Felipe.

Para ele, incorporar novas ferramentas não significa abrir mão daquilo que diferencia um profissional de outro. O ponto central está em determinar até onde a tecnologia participa do processo e quais decisões continuam sob responsabilidade do artista.

“Não acredito que seja necessário escolher entre tecnologia e arte. A questão é saber quem está conduzindo o processo. A ferramenta pode ajudar, mas a criação precisa continuar tendo intenção, identidade e, principalmente, alguém disposto a ouvir a pessoa que vai carregar aquele trabalho”, conclui.

Sobre Felipe Luiz Petruy

Felipe Luiz Petruy é tatuador, empresário e mentor, especialista em realismo preto e cinza e retratismo. Atua profissionalmente desde 2019 e acumula especializações, premiações e participação em convenções do setor. Foi segundo colocado na categoria Retrato da Tattoo World, em 2022, e venceu a categoria Retrato do Araucária Tattoo Festival, em 2024. Também foi escolhido por votação popular como melhor tatuador de Araucária em duas oportunidades e convidado a atuar como jurado no PG Tattoo Fest e no Santos Tattoo Festival. Ao longo da carreira, realizou trabalhos para artistas como MC Drika, Salvador da Rima, MC Pedrinho e MC Vitão do Savoy e atualmente ministra mentorias voltadas ao aperfeiçoamento de outros tatuadores.

Para mais informações, acesse o Instagram.


Sobre o Studio Felipe Petruy

Fundado em 2020, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), o Studio Felipe Petruy é especializado em tatuagens de realismo preto e cinza e retratismo. Com o crescimento da procura por atendimentos e mentorias, o espaço ampliou sua estrutura em 2023. Além de projetos personalizados, recebe profissionais interessados em aperfeiçoamento técnico nas áreas de realismo, sombras, texturas e retratos.

Para mais informações, acesse oInstagram.

Fontes pesquisadas

Adobe
https://news.adobe.com/news/2026/06/creators-toolkit-report-2026

U.S. Copyright Office
https://www.copyright.gov/newsnet/2025/1060.html

Tattoo Week
https://tattooweek.com.br/Manual_Expositor_TW.pdf

Villain Arts
https://villainarts.com/tattoo-contests/

Napoli Tattoo Expo
https://www.napoliexpotattoo.it/wp-content/uploads/2026/02/eng-regolamento-nta-26.pdf

(Crédito: Divulgação)

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