
Com uma agenda voltada à busca de soluções para os principais desafios ambientais da Zona Sudoeste, o 23º Fórum de Meio Ambiente, promovido pelo HotéisRIO e pela ACIR, reuniu nesta sexta-feira (26), no Hilton Barra, representantes do poder público, concessionária e lideranças do setor. O encontro consolidou o diálogo entre as instituições, reforçou a importância da atuação integrada e avançou na definição de compromissos relacionados à recuperação hídrica da Zona Sudoeste, ao saneamento e à melhoria da infraestrutura urbana.
A abertura foi conduzida pelo presidente da ACIR e do HotéisRIO, Alfredo Lopes, e pelo presidente da Câmara Municipal do Rio, Carlo Caiado, que deram as boas-vindas aos participantes e destacaram a importância do fórum como espaço permanente de diálogo e acompanhamento das políticas públicas.

Alfredo Lopes ressaltou a trajetória do evento e sua relevância ao longo do tempo: “Há mais de 20 anos, realizamos este fórum de forma ininterrupta, sempre com o objetivo de reunir, em um mesmo espaço, representantes fundamentais do poder público, da sociedade civil e das associações, promovendo diálogo qualificado e construção conjunta de soluções para os desafios ambientais da região”.
A cerimônia teve como mediador David Zee, que é oceanógrafo, engenheiro costeiro e ambiental e professor adjunto da Faculdade de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ele ressaltou que o principal eixo da discussão atual está nos recursos hídricos, considerados os principais ativos de interesse da sociedade na região, diretamente dependentes da infraestrutura e dos serviços públicos, com destaque para a qualidade das lagoas como principal métrica ambiental e social da Zona Sudoeste.

O evento contou com o apoio institucional do Hotel Hilton Barra, Carvalho Hosken e Executive One, além da TV Record Rio como parceira de mídia.
Estruturado em três eixos principais — saneamento e recuperação de corpos hídricos, ordenamento urbano e combate às enchentes, e compromisso com a transparência —, o fórum promoveu um debate objetivo, voltado à construção de soluções e ao acompanhamento de resultados que impactam diretamente o cotidiano dos moradores da Barra da Tijuca, Recreio e Vargens.
Representando os órgãos públicos e instituições convidadas, participaram do painel de debates Laís de Santi, gerente de Qualidade e Meio Ambiente da Iguá Rio; Lívia Suzart, secretária municipal de Meio Ambiente e Clima; Georgiane Costa Vita, chefe de gabinete representando a Fundação Rio-Águas e a Secretaria Municipal de Infraestrutura; Daniel José Rienda Moraleida, da 1ª Gerência de Estudos e Projetos da Bacia Oceânica; além de representantes da Subprefeitura da Barra da Tijuca, Recreio e Vargens. O Instituto Estadual do Ambiente (INEA), órgão ambiental do Governo do Estado, não enviou representantes e, portanto, não houve participação da representação estadual no encontro.
No eixo de saneamento e recuperação dos corpos hídricos, a Iguá Saneamento destacou a centralidade da universalização do saneamento na região, com avanços relevantes no tratamento de esgoto e na ampliação da infraestrutura. Foram concluídas 21 frentes de esgoto a tempo seco na bacia do Arroio Fundo, que concentra cerca de 40% do esgoto da região, além de investimentos superiores a R$ 90 milhões na modernização de estações de tratamento e sistemas automatizados. A concessionária também ressaltou a ampliação da capacidade de tratamento para mais de 3.800 litros por segundo, beneficiando mais de um milhão de cariocas, e a inauguração da nova ETE Barra, com investimentos de R$ 170 milhões e aumento de 50% na capacidade operacional. No total, o sistema passou por modernização de 37 estações, com mais de R$ 90 milhões aplicados em automação. Também foram destacados projetos de dragagem do complexo lagunar, com foco ambiental e conexão entre canais da Joatinga até a Lagoa de Jacarepaguá, além do plantio de mais de 80 mil mudas de mangue e ações de busca ativa que já evitaram o lançamento de cerca de 29 mil metros cúbicos de esgoto in natura nos canais.
A Fundação Rio-Águas, responsável pelo andamento das intervenções de desassoreamento e dragagem realizadas nos últimos 12 meses, foi representada por Georgiane Costa Vita, e reforçou a necessidade de integração com universidades e centros de pesquisa para o desenvolvimento de soluções estruturais, incluindo estudos voltados à erosão da Praia da Macumba, área com alto potencial turístico e impactada por mudanças climáticas.
No eixo de ordenamento urbano e combate às enchentes, a subprefeitura destacou que a região conta com sete parques e vem avançando em ações de recuperação ambiental, incluindo intervenções em restingas, limitação de estacionamento nas praias e ampliação do uso de câmeras do sistema Civitas para prevenção de crimes ambientais. Também foi destacada a implantação de um corredor verde de aproximadamente 10 km no Recreio, com plantio de mudas no canteiro central, além da atuação contínua de máquinas na limpeza de canais e remoção de descartes irregulares de resíduos. O subprefeito reforçou ainda a importância da participação da sociedade civil como parceira essencial na solução dos problemas urbanos e ambientais.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima, representada pela secretária Lívia Suzart, destacou o avanço de políticas de articulação com a sociedade civil e provocou a ampliação do fórum como um ecossistema de geração de soluções, com participação da academia e universidades. Foram mencionados esforços de mapeamento de emergências climáticas, contenção da expansão urbana desordenada e metas ambientais específicas para a região.
Daniel José Hienda, gerente da 1ª Gerência de Estudos e Projetos da Bacia Oceânica, elogiou a integração entre a Rio Águas e a Iguá, especialmente em relação ao esgoto a tempo seco. Ele ponderou que é muito mais difícil tratar uma área já ocupada do que implantar uma infraestrutura antes da ocupação, reforçando que a atuação integrada busca justamente evitar a ocupação desordenada.
Para as considerações finais, o promotor de Justiça e coordenador do GAEMA, José Alexandre Maximino, destacou o papel do Ministério Público no acompanhamento e cobrança das políticas ambientais, fortemente impulsionado pela mobilização comunitária. Ele reforçou a importância da construção de uma teia de monitoramento com métricas claras de evolução das políticas públicas e ressaltou que o planejamento urbano e o meio ambiente precisam estar integrados às políticas de habitação de interesse social, com soluções que envolvam também o urbanismo social e tático.
O evento foi encerrado com espaço aberto para perguntas do público, promovendo diálogo direto entre moradores, empresários e representantes da sociedade civil com os palestrantes e autoridades presentes.
O professor Fabiano Thompson, parceiro de Felipe Landusse no projeto da UFRJ para a produção de biofertilizantes a partir de microalgas, colocou-se à disposição da Secretaria de Meio Ambiente para fornecer o insumo gratuitamente, um importante e bem-vindo apoio para a produção de mudas para a revitalização de áreas de restinga e mangue.
Delair Dumbrosck, presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, prestigiou o encontro, representando a união das lideranças da região.
O 23º Fórum de Meio Ambiente reafirmou seu papel como um espaço permanente de diálogo, acompanhamento e cobrança institucional, fortalecendo a integração entre poder público, concessionária e sociedade civil em torno de ações concretas para a recuperação ambiental e o desenvolvimento sustentável da Zona Sudoeste.
