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    Categorias: Cultura

O som que nunca envelhece

Há datas que carregam mais do que lembranças: elas guardam símbolos de uma época, de um jeito de viver a música. No Brasil, 20 de abril é dedicado ao disco de vinil, esse objeto que gira lentamente e transforma silêncio em melodia. A escolha não foi ao acaso — é também o dia em que se recorda Ataulfo Alves, sambista cuja obra se tornou parte da identidade cultural do país.

O vinil não é apenas um suporte físico. Ele é ritual. É abrir a capa, sentir o cheiro do papel, ler os encartes e, com cuidado, colocar a agulha sobre o sulco. O som que nasce daí é descrito como mais quente, mais humano, como se carregasse imperfeições que o tornam autêntico.

Durante décadas, entre os anos 1960 e 1990, o vinil reinou absoluto no mercado fonográfico. Depois, cedeu espaço ao CD e ao digital. Mas, como acontece com tudo que guarda memória, voltou.

Hoje, colecionadores e jovens curiosos disputam relançamentos e raridades, e lojas especializadas celebram o ressurgimento desse formato que nunca deixou de ser amado.

Enquanto no Brasil a homenagem acontece em abril, o calendário internacional reserva o dia 12 de agosto para o mesmo tributo.

Diferenças de datas não mudam o essencial: em qualquer lugar, o vinil é celebrado como um elo entre gerações, uma peça que une passado e presente, nostalgia e descoberta.

O disco de vinil, afinal, não é apenas música. É história, é afeto, é a lembrança de que algumas coisas giram eternamente — como a memória, como o som, como o coração de quem escuta.


Joacles Costa: Jornalista, Doutor H.C. em Jornalismo, Doutor H.C em Ciência da Educação, Diretor Executivo do Portal de Notícias Cellebriway, Autor de vários Livros, Professor, Pós-Graduado em Educação Ambiental, Educação Especial, Gestão Pública e Neuropsicopedagogia.