Atriz e influenciadora conta como deixou de depender financeiramente da família e dos relacionamentos e passou a administrar o próprio patrimônio
Durante boa parte da vida, Joana Cabral não precisou se preocupar com a própria sobrevivência financeira. Criada em uma família que sempre valorizou a construção de patrimônio, a atriz e influenciadora cresceu cercada por uma estrutura que lhe proporcionava segurança. Aos 19 anos, casou-se e passou a depender financeiramente do primeiro marido.
Hoje, ao olhar para a própria trajetória, Joana faz uma distinção que considera importante: ter acesso ao dinheiro não significa necessariamente ter liberdade para decidir sobre ele.
“Quando você depende financeiramente de alguém, existe um controle sobre você. Hoje eu entendo o valor de não precisar pedir nada para ninguém e de não dever satisfação sobre o que vou fazer com o meu próprio capital.”
Após o fim do primeiro casamento, ela voltou a contar com o suporte da família, mas também passou a trabalhar na administração da obra de um prédio familiar. Formada em Direito, Joana já tinha interesse por outras áreas e encontrou na moda uma possibilidade de atuação profissional.
No segundo casamento, esse interesse ganhou espaço no mundo dos negócios. O então marido abriu uma empresa de roupas femininas para que os dois fossem sócios. Enquanto ele cuidava das áreas financeira e administrativa, Joana ficava responsável pela pesquisa, compra das peças, montagem das coleções e curadoria.
Ela considera que a experiência foi importante para transformar o interesse por moda em trabalho. Em 2021, com o fim do casamento, a trajetória da empresa também mudou. A família de Joana adquiriu o negócio, que continuou funcionando por mais algum tempo.
Em 2023, as empresas foram encerradas. Segundo Joana, um dos familiares envolvidos na administração não tinha interesse em continuar tocando o empreendimento ao lado dela. A decisão foi fechar as operações.
O encerramento acabou abrindo espaço para uma nova fase profissional.
São Paulo e novas escolhas
Depois do fechamento das empresas, Joana buscou uma nova formação e fez um curso de consultoria de imagem, estilo e posicionamento. Em meados de 2024, decidiu se mudar para São Paulo para trabalhar na área. Foi também nesse período que começou a estudar teatro.
Direito, moda, consultoria de imagem e atuação passaram a fazer parte de sua trajetória profissional. Para Joana, porém, existe algo que conecta essas diferentes experiências: a possibilidade de escolher os caminhos que quer seguir.
Ela reconhece que teve poucos períodos de independência financeira ao longo da vida. Entre o suporte familiar e os casamentos, passou muitos anos em estruturas nas quais outras pessoas também participavam de suas decisões econômicas.
Hoje, define o momento atual como uma fase de “independência absoluta”. Mais do que o dinheiro, ela valoriza a liberdade de decidir o que fazer com ele.
“Não há nada melhor do que ser independente financeiramente. Eu fui independente durante muito pouco tempo na minha vida. Tive dois períodos de independência e agora vivo uma independência absoluta. Não precisar pedir e poder decidir o que fazer com aquilo que é seu muda tudo.”
Uma lição que veio de casa
A busca por autonomia não fez Joana abandonar os ensinamentos financeiros que recebeu da família. Uma das principais lições que levou para a vida adulta foi a importância de construir patrimônio.
Desde cedo, ela conta ter aprendido que dinheiro não deveria ser visto apenas como instrumento de consumo. Na família, o investimento em imóveis sempre esteve entre as formas de construir e preservar patrimônio.
Essa educação financeira continua presente em suas escolhas. Hoje, Joana afirma que segue investindo em imóveis e vê a decisão como uma continuidade do que aprendeu em casa.
“Sempre aprendi com a minha família a investir em imóveis. Essa foi a educação financeira que eu tive e continuo seguindo. Nesse aspecto, sigo os passos da minha família.”
Joana reconhece os privilégios que fizeram parte de sua história e é grata pelo suporte que recebeu da família. Ao mesmo tempo, entende que conforto financeiro e autonomia são coisas diferentes.
A família lhe deu estrutura, patrimônio, oportunidades e uma educação financeira baseada em investimentos. Os casamentos também fizeram parte de sua trajetória. Mas, segundo ela, a fase atual representa uma conquista diferente: a possibilidade de administrar o próprio dinheiro e tomar decisões sem depender de outra pessoa.
Problemas familiares também contribuíram para que ela deixasse a zona de conforto e buscasse novos caminhos. Foi nesse processo que começou a construir uma relação diferente com o próprio dinheiro e com as escolhas que queria fazer.
Hoje, Joana resume essa mudança de forma direta:
“É meu. Eu conquistei. Eu administro. E sou eu quem decide.”
Depois de anos vivendo dentro de estruturas familiares e conjugais que influenciaram sua vida financeira, Joana diz ter encontrado na independência uma nova maneira de conduzir a própria vida. Sem negar a estrutura que recebeu, ela afirma que aprendeu a fazer suas próprias escolhas e a assumir o controle do próprio patrimônio.