Automação reduz tarefas operacionais, amplia a produtividade e transforma o papel das equipes, enquanto integração entre marketing, vendas e dados passa a definir os resultados
A inteligência artificial já alterou a rotina de empresas de diferentes setores. Atividades de pesquisa, planejamento, análise, redação e criação ganharam velocidade, permitindo ampliar a capacidade de produção sem aumentar as equipes na mesma proporção.
Esse avanço também inaugura uma nova etapa para o marketing. Com parte da execução apoiada pela tecnologia, profissionais e agências podem dedicar mais tempo à interpretação de dados, ao entendimento do negócio e à construção de estratégias conectadas aos objetivos das empresas.
Na Lamarca Brasil, agência de marketing digital com atuação em branding, performance, automação e estratégia, a incorporação da IA trouxe ganhos de produtividade e modificou o perfil da operação.
“A IA trouxe ganhos importantes para criação, planejamento e copy. Conseguimos economizar tempo e escalar a operação sem necessariamente aumentar a equipe. Hoje temos mais pessoas estrategistas do que operacionais, e essa é uma mudança positiva”, afirma Danilo Cazelato, fundador da Lamarca e estrategista digital.
Para ele, a transformação não reduz a importância dos profissionais de marketing. Ao contrário, aumenta a necessidade de pessoas capazes de orientar as ferramentas, revisar entregas e conectar comunicação, dados, vendas e decisões de negócio.
Produtividade é o primeiro ganho
A experiência da Lamarca acompanha um movimento internacional. A pesquisa global The State of AI 2026, da McKinsey, mostra que oito em cada dez entrevistados perceberam melhora na produtividade individual com o uso da inteligência artificial.
O desafio agora é fazer com que essa eficiência se traduza em resultados para toda a organização. Segundo o levantamento, 37% dos entrevistados atribuem algum impacto positivo da IA sobre o resultado operacional de suas empresas. O grupo considerado de alta performance representa 6% da amostra.
Essas organizações se diferenciam não apenas pelo uso das ferramentas, mas pela forma como incorporam a tecnologia à operação. Quase três quartos das empresas de alta performance afirmam ter redesenhado seus fluxos de trabalho por causa da IA. Entre as demais, a proporção fica em aproximadamente um quarto.
Na avaliação de Cazelato, isso mostra que a próxima etapa da adoção não será determinada pelo acesso à tecnologia, que está cada vez mais disseminado, mas pela capacidade de integrá-la aos processos.
“A ferramenta amplia a capacidade de execução, mas a empresa precisa saber onde deseja chegar. O ganho se torna mais relevante quando a inteligência artificial está conectada a um problema real, a um processo bem definido e a indicadores que permitam acompanhar os resultados”, explica.
Agências passam a ocupar uma posição mais estratégica
No marketing, a automação de tarefas operacionais modifica o papel das agências. Se antes uma parte significativa do tempo era dedicada à execução, a tecnologia permite concentrar mais recursos na análise do mercado, na compreensão do comportamento do consumidor e na integração da jornada de compra.
Isso também muda o que as empresas devem esperar de uma parceria de marketing. Além da produção de campanhas e conteúdos, torna-se necessário compreender como as oportunidades são geradas, atendidas e transformadas em vendas.
Para Cazelato, a função da agência passa cada vez mais por ajudar o cliente a tomar decisões e organizar o uso das tecnologias disponíveis.
“Produzir mais deixou de ser suficiente. A empresa precisa entender se está atraindo as pessoas certas, se essas oportunidades estão avançando e quais informações podem melhorar a estratégia. A tecnologia permite fazer tudo isso com mais velocidade, mas o olhar estratégico continua sendo fundamental”, afirma.
Na prática, isso significa que profissionais com repertório de negócios, capacidade analítica e domínio das ferramentas ganham relevância. A IA auxilia na pesquisa, na criação e no processamento de informações, enquanto as equipes assumem a responsabilidade de estabelecer critérios, interpretar os dados e avaliar a qualidade das entregas.
IA, automação e CRM precisam atuar em conjunto
A inteligência artificial não chega a uma estrutura vazia. Em muitas empresas, ela passa a conviver com plataformas de automação de marketing, sistemas de CRM, ferramentas de mídia e canais de atendimento.
Soluções como RD Station e HubSpot já permitem organizar contatos, automatizar etapas da comunicação, acompanhar a jornada dos leads e integrar atividades de marketing e vendas. A IA amplia essas possibilidades ao apoiar análises, personalização, produção de conteúdo e identificação de padrões.
O maior potencial aparece quando essas tecnologias trabalham de forma conectada.
“Ferramentas como RD Station e HubSpot são completas e oferecem muitos recursos. Com um olhar técnico e estratégico, elas ajudam a organizar informações, acompanhar oportunidades e tornar a relação entre marketing e comercial mais eficiente”, avalia Cazelato.
A implementação, porém, exige mais do que a contratação da plataforma. É preciso estabelecer objetivos, responsabilidades, indicadores e critérios para o uso dos dados. A agência ou equipe responsável também deve compreender o processo comercial para configurar a tecnologia de acordo com a realidade da empresa.
Um estudo do IBM Institute for Business Value, realizado com 2 mil CEOs de 33 países, mostra o tamanho dessa oportunidade. Apenas 25% das iniciativas de inteligência artificial analisadas haviam entregado o retorno esperado e 16% tinham alcançado escala em toda a organização.
Os números indicam que muitas empresas ainda estão nas fases iniciais de experimentação, integração e aprendizado. Também reforçam a importância de conectar os investimentos tecnológicos a casos de uso claros e mensuráveis.
Marketing e vendas compartilham a mesma jornada
A integração entre marketing e comercial é uma das áreas em que a tecnologia pode gerar impactos mais relevantes.
A IA e a automação permitem segmentar públicos, personalizar mensagens e acompanhar comportamentos em diferentes etapas da jornada. Um CRM bem estruturado registra o histórico dos contatos, organiza o pipeline e fornece informações sobre o avanço das oportunidades.
Esses recursos ganham valor quando marketing e vendas compartilham informações.
“Não adianta o marketing gerar oportunidades se o processo comercial não está preparado para atendê-las. Da mesma forma, não é possível aprimorar a estratégia de aquisição sem entender o que acontece durante a venda”, afirma Cazelato.
Dados sobre qualidade dos leads, tempo de atendimento, objeções dos consumidores e motivos de perda podem retornar ao marketing e orientar campanhas mais eficientes. Em sentido contrário, as informações sobre origem, interesses e comportamento dos contatos ajudam a equipe comercial a realizar abordagens mais contextualizadas.
A tecnologia cria condições para essa integração, mas o processo precisa ser desenhado pelas empresas.
Redes sociais também exigem estratégia
As redes sociais são outro exemplo de como o acesso às ferramentas não substitui a definição de objetivos.
A pesquisa TIC Empresas 2024, conduzida pelo Cetic.br, mostra que 89% das empresas brasileiras estavam presentes nas redes sociais, enquanto 53% possuíam um site próprio.
A ampla presença nesses canais representa uma oportunidade para empresas de diferentes portes. As redes podem participar da descoberta de marcas, da construção de autoridade, do relacionamento e da aquisição de clientes.
Para isso, entretanto, é necessário ir além da publicação de peças visuais.
“Rede social não é apenas um espaço para publicar posts bonitos. Ela pode participar da aquisição de clientes e de diferentes etapas da jornada de decisão”, explica Cazelato.
Com a inteligência artificial, as empresas conseguem produzir um volume maior de textos, imagens e vídeos. O diferencial passa a estar na qualidade da direção oferecida à tecnologia: qual público deve ser alcançado, que percepção a marca pretende construir, qual ação espera estimular e como o conteúdo se conecta à estratégia comercial.
Na área de design, a IA também pode apoiar a busca por referências e a exploração de caminhos criativos. A entrega final, porém, continua dependendo de repertório, sensibilidade estética e interpretação da identidade de cada empresa.
Estratégia transforma eficiência em crescimento
A adoção da inteligência artificial representa uma oportunidade para empresas e agências ampliarem sua capacidade de execução e qualificarem suas decisões.
O benefício mais imediato costuma aparecer na economia de tempo. O impacto mais relevante, porém, ocorre quando esse tempo é direcionado para atividades de maior valor: analisar informações, compreender o consumidor, revisar processos e criar soluções alinhadas ao negócio.
Esse cenário também torna mais importante a escolha das métricas. Quantidade de conteúdos, alcance e velocidade de produção ajudam a acompanhar a operação, mas não demonstram, isoladamente, o efeito do marketing sobre o crescimento.
A avaliação deve incluir indicadores como qualidade das oportunidades, taxa de conversão, custo de aquisição, tempo de atendimento, retenção e receita.
Para Cazelato, a combinação entre tecnologia e estratégia permite que as empresas avancem para uma atuação mais inteligente, integrada e mensurável.
“A inteligência artificial elevou a capacidade de execução. Quando ela está conectada a processos, pessoas, dados e objetivos claros, o ganho deixa de ser apenas operacional e passa a contribuir efetivamente para o crescimento”, conclui.
Sobre Danilo Cazelato
Danilo Cazelato é empresário, estrategista digital e fundador da Lamarca Brasil, agência especializada em marketing digital, branding, performance, automação e integração entre marketing e vendas. Atua também com estratégia empresarial, negócios digitais e aplicação da inteligência artificial às operações de marketing.
(Crédito: Arquivo Pessoal)