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Da arquitetura ao design de produto: quando uma assinatura ultrapassa os limites do projeto

Mobiliário, iluminação e objetos autorais passam a ocupar um espaço cada vez maior no trabalho de Camila Pimenta, em um movimento que transforma sua linguagem arquitetônica em peças capazes de existir para além dos ambientes que lhes deram origem.

Em alguns projetos, chega um momento em que escolher entre aquilo que já existe no mercado não é suficiente.

Uma proporção específica, um material, uma forma ou simplesmente uma ideia que não encontra correspondência pronta acaba levando o arquiteto a outro território: o de criar o próprio objeto.

Para Camila Pimenta, foi justamente essa inquietação que aproximou seu trabalho do design de produto.

“Eu comecei a desenhar porque, muitas vezes, sabia exatamente o que queria para um projeto, mas aquilo simplesmente não existia.”

Mesas, mobiliário, iluminação e objetos deixam, então, de ser elementos adicionados ao final e passam a nascer junto com a própria arquitetura. O interessante é que esse movimento também permite que a identidade construída dentro de projetos privados ultrapasse suas paredes.

Uma peça criada inicialmente para solucionar uma necessidade específica pode ganhar autonomia, ser reinterpretada, produzida por uma indústria e chegar a outros espaços.

“Existe algo muito especial em transformar uma ideia que nasceu para um único ambiente em uma peça capaz de contar sua própria história.”

Essa aproximação com o design também levou Camila a aprofundar sua relação com materiais, indústria e processos produtivos. Desenhar um objeto exige pensar não apenas na forma, mas em engenharia, ergonomia, acabamento, viabilidade e na maneira como diferentes matérias se comportam.

Para ela, porém, o princípio continua sendo o mesmo que orienta seus projetos: não criar apenas para preencher um espaço, mas porque existe algo novo a dizer.

“Eu não tenho interesse em colocar meu nome em uma peça apenas para ter um produto assinado. Se vou criar, ela precisa ter identidade suficiente para existir por si só.”

É nesse encontro entre arquitetura, interiores, indústria e criação autoral que Camila começa a ampliar os limites de sua própria marca.

Não como uma mudança de caminho, mas como consequência dele.

“Meu trabalho começou nos espaços, mas nunca enxerguei a criatividade como algo que precisasse terminar nas paredes.”

(Crédito: Arquivo Pessoal)

Claudio Moreira: