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    Categorias: Cultura

A Galeria Kovak & Vieira recebe amostra “Alfabeto do Universo”

“Eu entendo a geometria como ‘o alfabeto do universo’.”


É com esta frase que o artista Sator se refere à linguagem geométrico-abstrata que emprega largamente em sua obra. Como vemos em Geometria: alfabeto do universo, sua segunda mostra individual na Kovak & Vieira, a geometria está presente sobre diferentes suportes – linho, madeira, tela – como uma linguagem que se espraia, ocupa tudo e busca ser compreendida universalmente.

Como um alfabeto, afinal, capaz de nos aproximar, e não de nos separar.
As reflexões de Sator têm origem, em parte, na vertente abstrato-construtiva disseminada com maior força no Brasil a partir do início dos anos 1950, especialmente com a presença do suíço Max Bill no país. Sua primeira exposição retrospectiva no Museu de Arte de São Paulo (Masp), em 1951, e a histórica premiação de sua escultura Unidade Tripartida na I Bienal de São Paulo, no mesmo ano, foram acontecimentos decisivos para a difusão dessas ideias entre os artistas no Brasil e na América do Sul. Bill trabalhava a partir das leis da estrutura, que envolvem “o alinhamento, o ritmo, a progressão, a polaridade, a regularidade, a lógica interna de desenvolvimento e construção”. E Sator (descendente de suíços) não passa incólume por essas reflexões e narrativas.

Ele leva adiante a abstração construtiva de maneira menos rígida, subvertendo sutilmente, à sua maneira, a regularidade e o alinhamento. Insere formas que se assemelham à elementos da natureza (plantas ou flores, as quais, como sabemos, podem ser pensadas em relação à Seção Áurea), ou linhas orgânicas, que emprestam traços da nossa tão cara arquitetura moderna.
Com liberdade, Sator tensiona também aquilo que entendemos como propriedades dos materiais. A madeira, associada ao aconchego, à organicidade e à natureza, encontra-se com tintas de cores não orgânicas, por vezes em degradê, metalizadas ou neon – cores industriais, artificiais, quase antinaturais. Oposição essa que não se sustenta por muito tempo, uma vez que justamente a forma – seu alfabeto – é que estabelece a ligação entre todas essas coisas.


Há, portanto, uma dimensão utópica no trabalho de Sator: a crença de que uma linguagem comum pode nos aproximar e de que, por meio dela, podemos compartilhar não apenas um sistema de formas, mas também um sonho. De que por meio de encontros – entre matéria e geometria, natureza e indústria, rigidez e liberdade – haja talvez a possibilidade de encontrar algum equilíbrio entre nós mesmos e o mundo.

SERVIÇO
Geometria: alfabeto do universo
Exposição de obras recentes de Sator 
Curadoria: Renata Rocco
Galeria Kovak&Vieira
Rua Cônego Eugênio Leite, 150 – Jardim América
Abertura: 22 de setembro de 2026
Horário: das 18h às 22h
Período expositivo: 22 de setembro a 18 de outubro de 2026
Visitação: Segunda a sexta, das 12h às 19h; Sábados, das 12h às 17h
Manobrista no local.

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